Perspectivas para a semana de 03 a 07- 08

Publicado em 03/08/2015

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A semana deve ser intensa nos mercados, tanto no exterior como no Brasil. Lá fora, os próximos dias trarão indicadores decisivos para as apostas acerca da política monetária do Fed, com números de inflação, atividade e mercado de trabalho. Nos últimos dias, sinais mistos sustentaram as dúvidas quanto ao timing do primeiro aumento dos juros. O comunicado do Fomc trouxe uma visão mais otimista da economia, mas não indicou uma iminência do aperto. Adicionalmente, o custo da mão de obra apresentou forte desaceleração no segundo trimestre. Porém, muitos analistas sustentaram a aposta do movimento na próxima reunião, favorecida pelas declarações do membro do Fed (não votante em 2015) James Bullard, que citou que “estamos em boa forma” para elevar os juros em setembro. No Brasil, o ambiente sofreu deterioração adicional recentemente, como reflexo da mudança das metas fiscais e, nesta semana, da decisão da agência S&P de colocar o rating em perspectiva negativa. Dados fiscais novamente muito ruins acentuaram o pessimismo na parte fim da semana, levando odólar nesta sexta a fechar acima de R$ 3,40/US$. Para os próximos dias, o retorno da agenda política com a volta do recesso parlamentar e as preocupações com a situação econômica devem manter o ambiente adverso e a volatilidade dos ativos.

Nos mercados internacionais, a segunda-feira começa reagindo às informações da China, com as pesquisas PMI e o desempenho da bolsa de Xangai, cujos altos e baixos têm gerado temores. Ainda na segunda, o índice PCE de inflação nos EUA requer cuidado, pois deve movimentar as apostas para o Fed. Até agora a inflação tem se mostrado contida. A partir da quarta-feira, diversos dados de atividade nos EUA devem acentuar a volatilidade, com destaque para os números oficiais do mercado de trabalho. A expectativa aponta desempenho moderado dos indicadores do emprego, o que se confirmado não indicaria a necessidade de pressa do Fed em iniciar o aumento dos juros já na reunião de setembro. Entretanto, parte do mercado ainda mantém a firme aposta neste cenário, que ganhar ou perder força a depender dos dados da semana. Nas bolsas, tem prevalecido um período de altos e baixos. Os índices sustentam patamares elevados, mas não demonstram fôlego para novos ganhos consistentes. A instabilidade na China tem sido um inibidor do apetite global ao risco.

No Brasil, o contexto externo merece atenção, em especial com os sinais vindos da China e da política monetária norte-americana. Porém, o componente doméstico deve continuar direcionando os ativos locais, que tem oscilado com base na deterioração do ambiente econômico, fiscal e político, além das indicações do Copom na última quarta. A julgar pelo conteúdo do comunicado do Comitê, o atual ciclo de aperto monetário foi encerrado, de modo que a ata deve sancionar tal expectativa. O retorno do noticiário político deve intensificar a volatilidade e o nervosismo na semana, com os agentes avaliando a capacidade do governo avançar com os ajustes a fim de conter a expectativa de perda do grau de investimento. No mercado cambial, além de todos os fatores internos e externos citados, cabe acompanhar a sinalização do BC quanto à rolagem de swaps cambiais no próximo mês, lembrando que o ritmo atual está em 60% dos vencimentos. Em suma, não há perspectiva de melhora do humor nos mercados locais no curto prazo, de modo que os ativos devem continuar voláteis e com viés negativo. Com isso, o dólar deve seguir oscilando acima de R$ 3,40/US$, com muitos altos e baixos inclusive no intraday. Já os DIs curtos devem manter a precificação de fim do ciclo, enquanto as taxas médias e longas acompanham o panorama geral. Na agenda, além da ata, destaque para o IPCA de julho (sexta), pesquisa industrial mensal (terça) e Anfavea (quinta).


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