Perspectivas para a semana de 13 a 17 de abril de 2015

Publicado em 13/04/2015

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A semana será movimentada nos mercados internacionais, com os agentes focados nas informações da economia norte-americana, visando as apostas acerca da política monetária, e nos indicadores da China, entre eles o PIB do primeiro trimestre. Nos últimos dias o dólar tentou uma recuperação após um período de perdas, diante de sinais dúbios do Fed e da avaliação de que o esfriamento da economia dos EUA nestes primeiros meses do ano é temporário. Na Europa, a redução do nervosismo com a Grécia, que honrou o compromisso com o FMI no prazo, permitiu a manutenção da tendência de alta nas bolsas locais. No Brasil, os sinais políticos mais amenos favoreceram a recuperação dos ativos domésticos. A entrega da articulação política para Michel Temer reforçou a visão de que os ajustes econômicos terão apoio da base aliada, especialmente do PMDB. Adicionalmente, a crescente expectativa de divulgação do balanço auditado da Petrobras ajuda a atenuar este importante fator de risco. Com isso, juros e câmbiodevolveram boa parte dos prêmios acumulados nos últimos meses, enquanto a Bovespa ganhou um novo impulso.

O foco internacional estará dividido entre Estados Unidos e China na próxima semana. No caso do gigante asiático, os números de atividade saem na noite da terça-feira e devem contribuir para uma leitura mais clara das condições econômicas nesta parte inicial do ano. O PIB deve exibir expansão de 7,0% na base anual, mantendo a trajetória de desaceleração e o receio com a continuidade da perda de ritmo nos próximos trimestres. Ativos ligados às commodities estarão atentos às informações. Nos EUA, a agenda ganha intensidade a partir da terça-feira, com diversos indicadores de inflação e atividade. Na quarta, o Livro Bege do Fed trará uma importante leitura da percepção regional da economia. Como o Fed mantém a postura “dependente de dados” para as decisões sobre a política monetária, os mercados devem reagir de forma volátil aos indicadores. Neste momento, a perspectiva majoritária dos analistas migrou para o início do aumento dos juros na parte final do ano, sendo que setembro seria a aposta mais hawkish. O risco, nesse sentido, é de um ajuste posterior, embora os dirigentes do Fed devam procurar manter em aberto essa possibilidade. Nas bolsas, destaque para a intensificação da agenda de balanços em Wall Street, que nesta semana terá os resultados dos grandes bancos.

No Brasil, a acomodação das tensões internas e a volatilidade externa do dólar devem manter o câmbio instável, sem um movimento direcional firme nos próximos dias. Entretanto, é fundamental considerar que ainda não há uma faixa confiável de oscilação do dólar, tendo em vista as grandes mudanças recentes de patamar, com o retorno para abaixo de R$ 3,10/US$ após a cotação ter superado R$ 3,30/US$ há poucos dias. Nos juros, o ambiente interno mais favorável ajudou na queda das taxas médias e longas, que corrigiram os excessos.

Porém, cabe manter o monitoramento do câmbio e dos juros dos treasuries. Já os DIs curtos ficam atentos aos sinais do BC, com a aproximação da reunião do Copom no final do mês e que deve manter o aperto de 50 bps na Selic. Cabe levar em conta que a fraqueza da economia e eventual acomodação do câmbio favorecem uma postura menos dura pelo BC. Já a Bovespa segue atenta às informações da Petrobras, que deve divulgar o balanço auditado nos próximos dias, embora persistam dúvidas quanto á contabilização das perdas. Já a Vale, que tem sido muito penalizada pelas quedas do minério de ferro, fica de olho nos dados da China. Na agenda local, destaque para o índice IBC-Br (quarta), além de diversos índices de inflação, entre eles o IPCA-15 (sexta). Vale monitorar também a ida de Joaquim Levy para reunião do FMI, na parte final da semana.


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