Perspectivas para a semana de 19 a 23 de outubro de 2015

Publicado em 19/10/2015

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Os últimos dias foram marcados por uma intensa volatilidade nos mercados internacionais e doméstico, gerada por dados fracos de crescimento global, mudanças na perspectiva em torno da política monetária americana e expectativas quanto a maiores estímulos na Europa e na Ásia. No início da semana, dados mais fracos de inflação e crescimento em importantes economias deram tônica negativa aos mercados: na China, os dados de importações e exportações vieram mais fracos e a inflação ficou abaixo das expectativas; na Europa, a inflação na Alemanha foi negativa conforme o esperado, o dado de sentimento ZEW (também na Alemanha) veio abaixo do esperado e a produção industrial na Zona do Euro mostrou resultado negativo; e, nos Estados Unidos, os dados do comércio e o PPI seguiram abaixo do consenso. 
Neste ambiente, as importantes bolsas tiveram comportamento negativo, o dólar enfraqueceu e as taxas dos treasuries americanos mostraram recuo.

Diante desses dados e de discursos de diversos membros do Fed transparecendo maior preocupação com o crescimento global e incertezas quando à recuperação da economia americana e sua política monetária, os mercados passaram a precificar menor probabilidade de uma alta dos juros americanos ainda neste ano.

Desta forma, eventos importantes na semana devem sustentar volatilidade nos mercados. O PIB chinês do terceiro trimestre deve mostrar um número fraco, próximo aos patamares atingidos durante a crise financeira, podendo gerar um maior pessimismo nos mercados globais. Porém, a decisão de política monetária na Europa pode reanimar as bolsas europeias, uma vez que, apesar da manutenção da taxas de juros, há uma expectativa de que o Banco Central Europeu possa sinalizar maiores estímulos em seu comunicado. Ainda, vale a pena acompanhar as diversas declarações de membros do Fed ao longo da semana.

No Brasil, os ativos chegaram a esboçar melhora, puxada pelo ambiente internacional, mas ficou clara a limitação, dada pelo ambiente doméstico ainda muito incerto. Mesmo com a divulgação do rebaixamento da nota do rating do País pela agência de risco Fitch, o real chegou a apreciar, provavelmente porque tal evento já estaria precificado nos ativos. Mas, mesmo assim, vale lembrar que a momentânea e ligeira valorização da moeda doméstica foi menor que a de seus pares emergentes. 

Nos próximos dias, a avaliação é de que a volatilidade deve permanecer, com o conturbado ambiente político interno. Ainda, haverá diversas divulgações importantes como dados de inflação (IPCA-15 referente a outubro) e de desemprego (referente a setembro), que devem indicar uma continuidade da piora da economia brasileira e podem pesar negativamente no mercado, além da decisão do Copom, que apesar da manutenção dos juros, deve manter a porta aberta para novo ciclo de aperto monetáro diante da piora das expectativas inflacionárias.


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