Perspectivas para a semana de 14 a 18 de setembro de 2015

Publicado em 14/09/2015

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Após uma longa expectativa, finalmente chegou a semana da reunião de setembro do Fed.
O evento, esperado há meses por agregar boa parte das apostas como o momento do liftoff, deverá condicionar o comportamento dos mercados nos dias anteriores e posteriores à decisão. Ao longo das últimas semanas, as turbulências na China e os sinais mistos do Fed e dos indicadores reduziram as apostas nessa direção, na linha do esperado pela Tendências de que o ajuste será postergado para dezembro (eventualmente para outubro). 

De qualquer forma, está evidenciado que o início do aperto ocorrerá ainda em 2015 e, em parte, já está na conta dos mercados. No Brasil, a perda do grau de investimento veio antes do esperado, mas não alterou substancialmente um quadro já muito negativo para os ativos locais. 
A situação crítica das contas públicas, escancarada em revisões recentes do governo, em meio ao agravamento crise política, já havia afetado adicionalmente os preços e este cenário impede qualquer melhora a curto prazo. Atuação do BC na última semana limitou a alta dodólar, sendo um dos poucos fatores que limitam novas altas pela perspectiva de novas intervenções no caso de movimentos agudos.

No exterior, a semana começará repercutindo os dados da China do fim de semana. 
O consenso aponta melhora do desempenho da produção industrial e das vendas no varejo em agosto, mas há o risco de novas decepções com os indicadores. Movimentos das bolsas chinesas também devem continuar afetando os mercados globais. Porém, o foco maior dos investidores será, de fato, a reunião do Fomc. A agenda econômica nos EUA na terça e na quarta traz dados da indústria, varejo e inflação, que devem contribuir para as apostas finais em torno da decisão. Ou seja, até lá os mercados devem manter postura cautelosa e volátil. Caso seja confirmada a expectativa de manutenção dos juros, mas com sinalização de alta em outubro ou dezembro (que pode vir no comunicado e nas declarações de Janet Yellen), os mercados devem acentuar tal precificação com uma nova rodada de valorização moderada dodólar e quedas nas bolsas. Mas é importante reconhecer a elevada incerteza quanto às indicações do Fed e as reações dos mercados.

No Brasil, o ambiente externo é apenas um aspecto adicional a complicar um cenário já muito turbulento por conta de fatores locais. A reação ao rebaixamento do rating foi forte, porém, controlada.
A atuação do Banco Central com dois leilões de linha de dólares com recompra na semana, um deles antes do downgrade, contribuiu para amenizar as pressões no câmbio. O dólar deve continuar instável, atento aos eventuais anúncios de medidas fiscais pelo governo e à reunião do Fomc. O viés segue de alta para o câmbio, mas a possibilidade de atuações pelo Banco Central deve evitar que a taxa suba muito além do patamar de R$ 3,90/US$. Na curva de juros, houve claro excesso nas taxas curtas e médias, mas a permanência do estresse pode impedir uma correção no curto prazo. 

Já a Bovespa tem exibido um desempenho menos adverso em meio ao pessimismo, contando com a melhora de empresas exportadoras. Mas também no caso da renda variável, o quadro deve seguir muito volátil e sem perspectiva de movimentos firmes.


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