Perspectivas para 10 a 14 de agosto de 2015

Publicado em 10/08/2015

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A semana deve continuar tensa nos mercados domésticos, ainda sob a perspectiva de muitas turbulências políticas

Além dos temores com novas medidas que prejudiquem adicionalmente o ajuste fiscal, diante da fragilidade extrema do governo evidenciada em votação nesta semana, há a expectativa em torno das manifestações de rua do dia 16, que devem ilustrar a situação muito adversa da presidente Dilma Rousseff. Assim, os investidores devem permanecer muito cautelosos em assumir posições em ativos domésticos, especialmente com a aproximação da data dos protestos. Nos últimos dias, o agravamento do ambiente político logo na retomada das atividades parlamentares reforçou o pessimismo com a situação atual do País, levando odólar a ultrapassar R$ 3,50/US$. Diante da rápida e acentuada desvalorização cambial, o Banco Central deixou temporariamente de lado a intenção de reduzir o intervencionismo e voltou a ampliar a oferta de swaps cambiais para rolagem nesta sexta.

No exterior, a semana deve continuar com as atenções divididas entre China e a política monetária dos EUA. Na quarta, os indicadores de julho da China devem fornecer novos sinais da situação da economia, após surpresas positivas em junho. Entretanto, a forte volatilidade nas bolsas e o recuo das pesquisas PMI indicam que não há motivos para otimismo. Nesse contexto, não há espaço para recuperação das commodities e dos ativos relacionados. Nos Estados Unidos, as perspectivas com o ajuste monetário pelo Fed seguem no foco central dos mercados. A semana terá agenda esvaziada até a quarta-feira, o que deve manter os ativos sob variações modestas e sem mudanças firmes de patamar. Já na parte final da semana saem dados do varejo e da indústria, que devem movimentar as apostas para o aumento de juros, lembrando que tem crescido a precificação do início do aperto em setembro. Nesta sexta, dados do emprego em linha com o esperado continuaram sugerindo que não há necessidade para uma alta iminente, mas os agentes têm se apegado aos recentes sinais de dirigentes do Fomc. De todo modo, é possível uma semana mais amena para o dólar em termos globais.

Nos mercados locais, entretanto, a situação deve continuar muito tensa. Diante do quadro político deteriorado e sem perspectivas de reversão no curto prazo, variáveis como taxa decâmbio, juros futuros e prêmios de risco devem seguir altamente voláteis e com risco de novos períodos de pressão. No câmbio, a demonstração do BC de que não deseja sancionar altas excessivas deve impedir que a cotação se distancie de R$ 3,50/US$, sendo que tal patamar pode se tornar uma referência de curto prazo. Ainda assim, persiste o risco de oscilações bruscas temporárias. Mesma análise vale para os DIs, que têm exibido movimentos acentuados no intraday. Já a Bovespa não tem fôlego para reagir, mas alguns papéis podem assumir caráter defensivo, como ações de empresas exportadoras. Neste ambiente, os indicadores econômicos locais perdem parte da relevância nos movimentos de mercado, tendo em vista o peso substancial do ambiente político. Desta forma, é crucial manter o monitoramento do noticiário de Brasília.


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