Crise na grécia - Perspectivas de mercado financeiro

Publicado em 13/07/2015

Imagem do Artigo Crise na grécia - Perspectivas de mercado financeiro

Perspectivas para a semana de 13 a 17 de julho de 2015

A semana deve ser bem movimentada nos mercados. A Grécia continua no radar, após o governo do país apresentar nova proposta às autoridades europeias, renovando a expectativa do alcance de um acordo durante o fim de semana. Os problemas nos mercados na China também devem seguir no foco, especialmente na semana de divulgação do PIB do 2º trimestre no país. Nos EUA, a agenda intensa faz com que os agentes retomem as atenções nos sinais da política monetária do Fed, que nos últimos dias foram ofuscados pelas questões relacionadas à Grécia e China. Estes fatores geraram forte volatilidade nesta semana, causando desdobramentos bem disseminados entre os ativos. No Brasil, a questão externa pesou sobre o câmbio e, especialmente, na Bovespa. Porém, além do fator global, há também o aumento das preocupações domésticas, em meio à deterioração do cenário político e os novos riscos sobre o ajuste fiscal.

O ambiente dos mercados na segunda-feira irá refletir, em grande medida, o desfecho das reuniões do final de semana com relação à Grécia. Cresceu nas últimas horas a possibilidade de acordo, diante da proposta feita pelos gregos, que envolveria medidas muito semelhantes às colocadas anteriormente pelos credores e que foram rejeitadas no referendo. Ou seja, a aceitação por parte de Atenas de boa parte do ajuste exigido amplia a perspectiva de desfecho do impasse. Na China, após dois dias de recuperação diante das medidas tomadas pelo governo para estancar a sangria nas bolsas, fica a expectativa para a consolidação de um ambiente mais ameno. Porém, o país deve voltar ao foco na quarta-feira, com a repercussão dos dados do PIB do 2º trimestre, que devem reforçar o quadro de desaceleração da economia. O risco é de eventual surpresa negativa com os números. Nos EUA, a agenda será muito movimentada nos próximos dias, com dados do varejo (terça), indústria (quarta) e inflação (quarta e sexta), além do Livro Bege do Fed (quarta). O conjunto de informações irá contribuir para balizar as apostas para o ajuste monetário, após Janet Yellen reiterar nesta sexta que ainda vê como apropriado o início do aperto em 2015 e que o processo será muito gradual.

No Brasil, o ambiente externo deve continuar dividindo as atenções dos investidores com o delicado contexto local, especialmente no âmbito político. A aproximação do prazo para a defesa do governo junto ao TCU, sobre a questão das “pedaladas” fiscais (dia 22) deve elevar o tom do debate nos próximos dias, com potenciais desdobramentos nos mercados. Além disso, ações do Congresso prejudiciais ao ajuste, como a MP 672 que prevê o reajuste de todas as aposentadorias pelo mínimo, renovam os temores sobre o desempenho fiscal. Neste contexto, os ativos domésticos devem continuar voláteis. O câmbio, que atingiu R$ 3,23/US$ com o fator China, deve voltar a oscilar ao redor de R$ 3,15/US$. No caso de acomodação dos mercados chineses, a Bovespa deve recuperar parte das perdas recentes. Já os DIs passaram a exibir um cenário dividido para o próximo Copom, deixando para trás o consenso em torno de nova alta de 50 bps. A semana será importante, com dados de atividade (Caged, PMC e IBC-Br) e inflação (IGP-10, Fipe e IPC-S). A pesquisa Focus também tem ganhado relevância neste momento, de olho nas expectativas do IPCA em 2016 e 2017. Tais pontos devem manter os mercados divididos até a reunião do dia 29, embora uma nova elevação de 50 bps siga como mais provável.


Deixe seu comentário