Perspectivas para a semana de 18 a 22 de maio de 2015

Publicado em 18/05/2015

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Segundo a Tendências Consultoria, os mercados internacionais continuam focados nos sinais da economia norte-americana, após novos dados recentes reforçarem que o esfriamento do primeiro trimestre pode persistir no trimestre atual. O mau desempenho da produção industrial, vendas no varejo e confiança do consumidor mantiveram o dólar sob pressão de baixa global, em meio à ampliação das apostas que o Fed não terá espaço para subir juros em 2015. Na China, diante de novos indicadores negativos da atividade, crescem as expectativas de medidas adicionais de estímulo por parte do governo, após o PBoC promover o terceiro corte de juros desde novembro no último dia 10. No Brasil, tem predominado um quadro volátil nos últimos dias, diante das oscilações globais do dólar, dos fatores políticos internos e dos ganhos recentes elevados na Bovespa, muito afetada também pelos intensos movimentos das blue chips.

Os cenários para a política monetária do Fed devem continuar ditando o humor dos mercados externos nesta semana, com destaque para a ata da última reunião do Fomc a ser divulgada na quarta-feira. O tom neutro do comunicado deve ser mantido no texto, que pode decepcionar quem estiver esperando um viés mais dovish. Porém, na sexta-feira Janet Yellen irá se pronunciar em evento, sendo uma oportunidade para ela demonstrar uma maior preocupação com os indicadores recentes mais fracos que o esperado da economia. As sinalizações do Fed e os outros dados ao longo da semana, envolvendo setor imobiliário e industrial, devem manter um quadro muito volátil para as taxas de câmbio e treasuries. Entretanto, é pouco provável que ocorra uma recuperação do dólar e dos yields. Nas bolsas, que seguem oscilando próximas dos picos históricos em Wall Street, o foco estará na fase final da temporada de balanços, nesta semana com as divulgações das grandes varejistas como Wal Mart, Home Depot, Target e Sears. Na Zona do Euro, as incertezas com a Grécia não tem sido suficientes para alterar o sentimento mais positivo, após os dados promissores das últimas semanas. Finalmente, cabe atentar para a China, que divulgará na noite da quarta-feira a prévia de maio do índice PMI-HSBC da indústria.

No Brasil, as discussões sobre as medidas fiscais devem continuar no foco ao longo da semana. A derrota do governo na flexibilização do fator previdenciário relembrou os agentes dos riscos em torno do ajuste, embora a perspectiva geral seja de aprovação da maior parte das medidas necessárias. Nesta semana espera-se a apreciação da MP 665 no Senado. A semana também deve trazer o anúncio do montante do contingenciamento orçamentário, visando o alcance da meta de superávit primário. Embora seja improvável que o objetivo de 1,2% do PIB seja atingido, o governo deve apresentar um ajuste vigoroso a fim de mostrar comprometimento com o melhor resultado fiscal possível. Caso tal leitura se confirme, o ambiente nos mercados tende a permanecer mais ameno para ativos locais, em especial a parte longa da curva de juros, ainda com prêmios consideráveis.

Outro ponto de destaque consiste na visão para o Copom, neste momento, sendo que a curva conta com uma nova alta de 50 bps na Selic em junho, após a ata hawkish do BC. Importante manter o monitoramento das expectativas de inflação para 2016, cuja mediana cedeu na última pesquisa Focus. No Ibovespa, o exercício de opções nesta segunda deve acentuar a volatilidade, em especial nos papéis mais líquidos. No caso da Petrobras, a reabertura ainda deve repercutir o balanço do primeiro trimestre, no fechamento desta sexta. Já a Vale deve continuar instável, de olho nos sinais mistos da China, com fraqueza da economia e espera por medidas expansionistas. Na agenda local, destaque para o fluxo cambial (quarta), a fim de observar se a saída da última semana foi pontual, além do índice IBC-Br e pesquisa mensal de emprego (quinta) e IPCA-15 (sexta).


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