Perspectivas para a semana de 06 a 10 de abril de 2015

Publicado em 06/04/2015

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Os mercados internacionais terão que passar por ajustes na reabertura da próxima segunda-feira, tendo em vista a divulgação dos sempre importantes dados do mercado de trabalho norte-americano no feriado da sexta.

Como boa parte das principais praças estará fechada, a reação ocorrerá apenas na segunda. Dados recentes mais fracos da economia dos EUA têm reduzido as pressões globais no dólar, tendência que pode ser ratificada pelos indicadores oficiais de março. Se, por um lado, este quadro limita os movimentos nocâmbio, de outro incentiva a correção das principais bolsas, que seguem em patamares muito elevados. Neste caso, cabe atentar também para o início da temporada de balanços trimestrais nos EUA. No Brasil, o componente político tornou-se mais ameno nos últimos dias, com as demonstrações de maior sintonia dentro do governo em relação ao apoio às medidas de ajuste. Porém, diante das dificuldades de obter apoio junto à base aliada, novas turbulências podem surgir no radar.

Na reabertura internacional os investidores já terão dissecado os dados do mercado de trabalho dos EUA, que saem na sexta. Há sinais de que o desaquecimento da atividade neste primeiro trimestre atingiu o mercado de trabalho, conforme os números fracos de geração de empregos privados da ADP. Embora persista uma expectativa positiva quanto ao desempenho da economia do país no restante do ano, o momento menos favorável dá fôlego às apostas de postergação do início do aperto monetário, o que se reflete no movimento dos treasuries e dodólar. Cabe notar que as declarações recentes de alguns dirigentes do Fed ainda têm procurado manter firme a possibilidade de elevação dos juros entre junho e setembro, sendo que na quarta-feira a instituição terá mais uma chance de expor sua visão ao público através da ata da última reunião. Em uma semana de agenda pouco movimentada, este é o principal evento para os mercados. Além disso, na quarta, a Alcoa divulga seu balanço trimestral, marcando o início da temporada de resultados corporativos em Wall Street.

Na Europa, a delicada situação da Grécia pode acentuar a aversão ao risco, considerando que o país já informou que ficará sem recursos a partir do dia 8. Sem disposição das autoridades do bloco de aprovarem novo empréstimo sem as reformas exigidas, a situação financeira do país pode caminhar para o colapso.

No Brasil, o fator externo voltou a ter peso, com a queda global do dólar e a continuidade da derrocada dos preços do minério de ferro, neste caso afetando fortemente as ações da Vale. Porém, os aspectos locais continuam como os principais direcionadores, especialmente o lado político e as discussões sobre o ajuste fiscal. Tem havido sinais crescentes da disposição do governo em adotar as medidas necessárias para buscar a meta de superávit, reforçada pelo discurso da própria presidente Dilma Rousseff. Entretanto, os conflitos no Congresso, em meio à tramitação das MPs 664 e 665, importantes para o ajuste, devem manter o risco de novos períodos de turbulências políticas. Do lado positivo, em algum momento nas próximas semanas será divulgado o contingenciamento do orçamento, que deve ser vigoroso.

Ou seja, apesar dos altos e baixos, o cenário de avanços nas mudanças da economia pode estar ganhando força, algo positivo para os ativos locais. A Petrobras é outro ponto fundamental a ser monitorado, após a recuperação das ações diante de especulações de avanços nos trabalhos para a divulgação do balanço auditado. Neste ambiente, o câmbiosegue com comportamento indefinido, mas se persistir o quadro externo mais favorável não se pode descartar um rompimento do piso de R$ 3,10/US$. Na agenda local da semana, destaque para o IPCA de março (quarta) e PNAD contínua (quinta).


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