Perspectivas financeiras de 23 a 27 de fevereiro de 2015

Publicado em 23/03/2015

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Perspectivas de mercado- Alta do dólar

Os dois temas que movimentaram os últimos dias devem continuar no centro das atenções dos mercados internacionais, que são as negociações para a extensão do programa de ajuda à Grécia e os sinais da política monetária norte-americana. Nesta sexta-feira, as discussões acerca da questão grega sugerem que o assunto deve ter uma definição apenas na próxima semana, sendo que no dia 28 expira o prazo para um acordo final.

Nos EUA, a ata do Fomc teve tom dovish, contribuindo com uma gradual mudança de expectativas para o início do aperto monetário no país, agora esperado mais para a parte final do ano. A este respeito, os pronunciamentos de Janet Yellen no Congresso nesta semana serão atentamente monitorados. 

No Brasil, passado o Carnaval, os agentes voltam às atenções para a retomada da vida política e econômica do País, em meio a um quadro pouco favorável. Nos mercados locais, a despeito de alguma reação recente da Bovespa, a taxa de câmbio e os juros futuros continuaram pressionados, em linha com a percepção adversa para a sequência do ano de 2015.

A abertura da semana dependerá muito do andamento das conversas sobre a Grécia. Nesta sexta, rumores oscilaram desde notícias de que as autoridades estariam pensando na saída do país da Zona do Euro, até citações de que um acordo estaria próximo. 

Caso algum desfecho não seja alcançado no final de semana, o tema deve acentuar a volatilidade ao longo dos próximos dias. A postura pouco flexível de ambos os lados sugere a possibilidade de continuidade do impasse até o último momento. 

Na terçafeira, o foco maior estará sobre o testemunho de Janet Yellen no Senado, no qual todos irão tentar obter indícios do timing para o aumento dos juros pelo Fed. A ata do Fomc nesta quarta apontou dúvidas e divergências importantes dentro do board, sugerindo que a autoridade monetária não tem um plano de voo bem definido para a normalização da política monetária. Assim, Yellen deve ser muito cautelosa nos pronunciamentos, lembrando que na quarta ela volta a falar na Câmara. 

Eventual nova sinalização dovish do Fed contribuiria para amenizar as pressões no dólar, mas isso também depende da resolução do impasse com a Grécia. Ou seja, a semana deve continuar instável, de olho também nos diversos indicadores de atividade. Na China, na volta do período de feriado de Ano Novo Lunar, cabe acompanhar o índice PMI da indústria (terça).

No Brasil, além do ambiente internacional, o front doméstico voltará à tona após a semana do Carnaval. O contexto político e econômico tem pesado nas últimas semanas, mas cabe avaliar se a deterioração já não foi completamente precificada, o que abriria espaço para uma acomodação dos ativos.

O câmbio continuou pressionado nos últimos dias

Também influenciado pelo quadro externo turbulento. Uma possibilidade é de que o dólarpasse a oscilar de forma mais consistente no intervalo entre R$ 2,80/US$ a R$ 2,90/US$, embora nesta semana os sinais do Fed possam alterar esse tênue equilíbrio recente. Nos juros, a percepção de manutenção do ritmo de 50 bps de aumento da Selic já está na conta e os DIs devem oscilar em linha com o câmbio. 

Já a Bovespa teve alguns dias de recuperação, o que foi importante para criar suportes aos preços. Porém, as incertezas locais limitam uma retomada firme da renda variável, que também deve seguir volátil. Na agenda local da semana, destaque para o IPCA-15 (terça), Caged (sem data definida) e dados fiscais (quinta e sexta).


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