Perspectivas financeiras de 26 a 30 de janeiro de 2015

Publicado em 26/01/2015

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Os mercados internacionais deixaram para trás o mau humor recente na última semana, embora ainda com momentos de muita volatilidade. 
A renovação do viés expansionista de importantes bancos centrais, com o agressivo afrouxamento quantitativo do BCE, o inesperado corte de juros do Bank of Canada e a ata dovish do Bank of England, trouxeram um novo fôlego para os ativos de maior risco. 

As principais bolsas retomaram os patamares elevados, o que dificulta avanços adicionais no curto prazo. O petróleo continuou a oscilar bastante, mas tenta se segurar em níveis um pouco abaixo de US$ 50/barril. Já o dólar manteve a tendência de valorização ante as principaismoedas, muito mais pela fraqueza das demais, no aguardo de novos sinais do Fomc nesta próxima semana. 

No Brasil, novas medidas de ajuste fiscal e a leitura positiva dos mercados sobre a nova equipe econômica sustentaram as baixas em juros e câmbio, favorecidas nesta semana pelo ambiente externo. A reunião do Copom confirmou as expectativas com nova alta de 50 bps, mas o comunicado lacônico não deu pistas sobre os novos movimentos, transferindo as expectativas para a ata da próxima quinta-feira. 
A segunda-feira tem uma agenda externa pouco movimentada e os mercados podem reagir ao desfecho das eleições na Grécia, com a provável vitória do partido antiausteridade Syriza. Há o risco de algum nervosismo caso o partido obtenha a maioria no Parlamento. 

A sequência da semana será marcada por importantes informações nos Estados Unidos, que irão fornecer subsídios para uma melhor avaliação do quadro para a política monetária. A reunião do Fomc será o principal evento, na quarta-feira, cujo comunicado deve ser atentamente monitorado como de costume. O Fed não deve avançar na sinalização do aperto monetário, após ter citado que o aumento não ocorrerá antes de abril. Ou seja, um texto neutro não traria mudanças substanciais em relação à precificação atual dos agentes, que preveem o aumento em meados no ano, mas que já consideram a possibilidade de algum adiamento. O PIB na sexta-feira será outro direcionador de peso, mesmo sendo um dado defasado. As perspectivas positivas para a economia neste ano, em meio ao forte recuo do petróleo, sustenta a visão de que o Fed não irá desistir de iniciar o ajuste monetário neste ano. Ainda na semana continua a ser importante monitorar os preços do petróleo e as moedas, que têm mantido um comportamento muito instável. No Brasil, a melhora de sentimento dos investidores tem proporcionado um ajuste importante em câmbio e juros. 

Após as baixas recentes, novas reduções tornam-se mais difíceis no curto prazo, embora as sinalizações positivas dos ajustes econômicos devam continuar. Um indício importante da incipiente mudança na postura dos investidores foi o fluxo cambial da última semana, que voltou a ficar muito positivo. Assim, será interessante acompanhar a divulgação na quarta-feira, a fim de observar se o aumento das entradas de capitais se repete – o que é provável. Na quinta, os analistas irão buscar pistas dos próximos passos do Copom na ata da última reunião, embora o texto possa repetir o teor do comunicado e evitar sinais evidentes. A inflação muito elevada neste início de ano deve levar o BC a manter a dose de aperto, em março, embora não seja possível descartar uma diminuição do ritmo. Na Bovespa, a Petrobras segue no foco, com a possível divulgação do balanço não auditado. Na agenda local, além do fluxo e da ata, destaque para os números fiscais de dezembro.


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