Previsões financeiras 2015

Publicado em 05/01/2015

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Projeções mensais atualizadas e Cenário Básico para o Brasil em 2015

O cenário básico da Tendências, com 60% de probabilidade, está alicerçado na avaliação de que ajustes macroeconômicos serão implementados, tendo como objetivo o enfrentamento dos desequilíbrios gerados com a Nova Matriz Econômica e, assim, a restauração das bases que permitirão a  retomada do crescimento econômico. Neste cenário, haverá apoio político para a implementação da agenda de ajustes, apesar da baixa popularidade da presidente e da instabilidade gerada com a operação Lava Jato. O gatilho doméstico para um cenário mais pessimista está na falta de apoio para implementação da agenda e, consequentemente, rotatividade da equipe, que não permitiria a construção de um ambiente mais favorável a partir de 2016.

No cenário básico da Tendências contempla os ajustes na política econômica, com destaque para a política fiscal e monetária. A Tendências projeta um superávit primário de 1,3% para 2015, baseado em contenção de gastos e aumento de carga tributária. Nesta conta está considerada a contenção de gastos discricionários de cerca de R$ 65 bilhões, com destaque para investimentos (PAC) e demais, que incluem alguns dispêndios sociais. Do lado da arrecadação, se considera a volta da Cide (para R$ 0,28/Litro para a gasolina e R$ 0,07/Litro para o diesel) e o retorno do IPI para automóveis e linha branca. Não se descarta, entretanto, o aumento de contribuições como a Cofins e a elevação de IOF.

Do lado monetário, a expectativa é de um ciclo mais longo do que o sinalizado inicialmente pelo Banco Central. No relatório de inflação de dezembro, a autoridade monetária adotou um tom mais duro no combate à inflação, comprometendo-se com a convergência da inflação para o centro da meta ao final de 2016. Assim, é elevada a
chance de nova alta de 50 bps em janeiro e um ciclo de aperto mais longo. As incertezas externas com alta de juros pelo Fed e contágio da crise russa, além do ceticismo dos agentes domésticos com a agenda de ajustes econômicos, podem, inclusive, forçar o BC a um ciclo mais significativo. Ao mesmo tempo, avaliamos que deve seguir ativo na oferta de proteção cambial, de forma a evitar que a inflação estoure o teto da meta. A projeção é de taxa de câmbio na casa de R$ 2,80/US$ ao final de 2015.

A Tendências projeta expansão de 0,6% do PIB em 2015. A ligeira melhora em relação a este ano é explicada
por algum fôlego do PIB industrial, após a retração estimada em cerca de 2,0% para este ano pelo lado da oferta, e por certo estancamento da retração de formação bruta de capital fixo, cujo recuo projetado para este ano é de cerca de 8,0%, e contribuição positiva do setor externo, pelo lado da demanda.

Do ponto de vista inflacionário, a expectativa é de continuidade de desaceleração dos preços livres no IPCA. A projeção é de que estes preços encerrem o próximo ano com alta de 5,8%, ante 6,6% neste ano. O IPCA cheio, entretanto, deve seguir muito próximo ao teto da meta (a projeção é de 6,4%), devido à pressão decorrente de preços administrados, para os quais a nossa estimativa é de alta de 8,4% (figura 1). Dos itens que têm os preços regulados, os destaques altistas para o próximo ano são energia elétrica, gasolina e transporte público, sendo que o risco, inclusive, é de que o item energia elétrica mostre alta mais significativa do que o esperado diante da sustentação de condições hídricas pouco favoráveis e custos relacionados a Itaipu.

O próximo ano poderá ser descrito como mais um ano de baixo crescimento e inflação elevada. No entanto, este quadro é decorrente de ajustes necessários para equacionar desequilíbrios que estão limitando a retomada do crescimento econômico. Assim, a expectativa é de que estes ajustes gerem um ambiente um pouco mais animador para 2016, ainda que em nosso cenário básico o crescimento econômico convirja para cerca de 2,0% a partir de 2017. O não enfrentamento de questões estruturais é um grande limitador para um cenário de crescimento econômico mais acelerado.

Por fim, a Tendências trabalha com mais dois cenários: o pessimista, com 35% de probabilidade de ocorrência, e um otimista, com 5%. O cenário pessimista, que tem probabilidade expressiva de ocorrência, tem, como gatilho doméstico, um ambiente político crítico, marcado por forte pressão social, perda de popularidade da presidente e falta de liderança do Planalto, que contribuiriam para a inviabilidade da continuidade dos ajustes macroeconômicos e, consequentemente, rotatividade na equipe. Neste cenário, o ambiente mais animador para 2016 não se concretizaria


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