Perspectiva semanal de 01 a 05 de dezembro de 2014

Publicado em 01/12/2014

Imagem do Artigo Perspectiva semanal de 01 a 05 de dezembro de 2014

Os mercados financeiros devem ter uma semana movimentada pela frente

Tanto no âmbito local como externo. Lá fora, os níveis elevados das bolsas contrastam com o clima de preocupação com a evolução das principais economias, o que tem se refletido no mau desempenho das commodities. A expressiva queda do petróleo, acentuada pela decisão da Opep de não cortar a produção, sustenta a perspectiva de inflação contida pelo mundo, quadro favorável para a manutenção do viés expansionista das políticas dos bancos centrais. Na agenda da semana, os dados de atividade nos Estados Unidos devem ser monitorados. No Brasil, o curto prazo deve continuar extremamente volátil nos mercados. A despeito da escolha de uma equipe econômica qualificada e bem recebida pelos investidores, persistem incertezas com as medidas concretas de ajuste e com o suporte que será dado pelo governo às mudanças necessárias na política econômica. Além disso, dúvidas sobre a manutenção das ofertas de swaps e a próxima decisão do Copom devem sustentar as oscilações em câmbio e juros neste momento.

No exterior, a primeira semana de dezembro terá como destaque a divulgação dos dados do emprego nos EUA, em um momento em que a economia do país dá sinais de acomodação. Com isso, há o risco de o mercado de trabalho trazer números menos favoráveis que os esperados, o que esfriaria ainda mais as apostas já minoritárias de antecipação da alta de juros pelo Fed. Mesmo que os dados mantenham certo fôlego, a perspectiva de inflação baixa, em virtude do recuo intenso do petróleo, sugere juros baixos por mais algum tempo. Ou seja, esta combinação não é negativa para os ativos derisco, dado que estimula a procura por maiores retornos.

Porém, o dólar manteve força em termos globais nos últimos dias, o que requer cautela especialmente com as taxas de câmbio. Nas bolsas, os índices seguem em níveis muito elevados – recordes nos casos do S&P 500 e Dow Jones – o que limita o espaço para novos ganhos. Cabe também acompanhar os índices PMI da China, que saem neste final de semana e devem repercutir já na segunda-feira.

No Brasil, a volatilidade tende a permanecer elevada no curto prazo, diante de fatores externos e locais. Por aqui, a posse da nova equipe econômica não renovou o impulso observado nos dias anteriores, talvez com os mercados temendo a autonomia para a tomada de decisões ou ainda o risco de conflitos com a visão distinta da presidente Dilma Rousseff. Ou seja, os investidores aguardam uma demonstração mais explícita de apoio da presidente às novas diretrizes da política econômica.  Declarações de Alexandre Tombini foram interpretadas como um sinal de que a política de “ração diária” de swaps cambiais pode ser encerrada, o que pressionou o dólar no fim da semana. O ritmo de rolagem dos vencimentos de janeiro, que será indicado possivelmente na segunda-feira, será importante para direcionar o câmbio no curtíssimo prazo. Além disso, a reunião do Copom volta a ganhar relevância, com a curva de juros apostando na aceleração do ritmo de aperto para 50 pontos-base diante da tentativa de recompor a credibilidade da política econômica. Porém, a decisão segue em aberto e a possibilidade de repetição do aumento de 25 pontos-base é relevante, em meio ao crescimento anêmico da economia. 

Na Bovespa, o quadro pouco favorável para as blue chips e as incertezas políticas sustentam o cenário instável. Na agenda local, além do Copom, destaque para a produção industrial (terça) e IPCA (sexta).


Deixe seu comentário