Perspectivas para a semana de 02 a 06 de junho de 2014

Publicado em 02/06/2014

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Segundo a Tendências Consultoria, os mercados internacionais terão uma semana importante pela frente, com novos dados da China, possível afrouxamento monetário na Zona do Euro e os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos. Nos últimos dias, prevaleceu um quadro instável nos mercados, diante dos patamares elevados das bolsas e de variações atípicas nas taxas dos treasuries, que seguem muito baixas a despeito dos sinais de melhora da economia norte-americana. No Brasil, o destaque recente ficou para as fortes baixas observadas na curva de juros, em meio a um cenário de pessimismo crescente com a economia, sinais de acomodação inflacionária e a confirmação pelo Copom da interrupção do ciclo de aperto monetário. Já bolsa e câmbio deram sinais de reversão, ao menos temporária, da tendência de ganhos das últimas semanas. Além do exterior e da agenda local, os ativos também seguem na espera de fatos novos do campo político eleitoral, sendo que nos últimos dias não houve nenhuma novidade.

A semana no exterior começará focada nas pesquisas PMI da China, que saem no sábado (oficial) e segunda (HSBC). Prosseguem os temores com o desempenho da economia do país nos próximos meses, o que tem feito estragos nos preços do minério de ferro, de modo que esses números devem trazer uma sinalização atualizada a respeito. Nos EUA, a agenda carregada também deve apontar um quadro mais claro da economia, que embora siga com perspectivas positivas, ainda exibe alguns sinais mistos. Destaque para o ISM da indústria na segunda e a pesquisa ADP na quarta, na espera pelos números oficiais do mercado de trabalho na sexta-feira. Cabe monitorar a reação dos yields dos treasuries, por ora excessivamente baixos considerando a perspectiva de retomada de um crescimento mais sólido no restante do ano. A tendência segue de gradual valorização dos ativos em dólares nos próximos meses, mesmo com a indicação dovish por parte do Fed. Finalmente, os agentes também estarão atentos à reunião do Banco Central Europeu, na quinta-feira, à espera da confirmação de medidas de afrouxamento monetário, conforme tem sido sugerido pelas autoridades da instituição.

No Brasil, os ativos estão passando por ajustes nos últimos dias. O Ibovespa, após ter atingido a máxima do ano de 54.400 pontos no dia 14 de maio, já perdeu cerca de 3 mil pontos desde então, em meio às quedas das blue chips e dos bancos. A continuidade da realização de lucros é incerta e depende dos novos sinais eleitorais que estão por vir, mas considerando o risco de correções no exterior, onde o S&P segue próximo do recorde, fica evidenciado um cenário de cautela. No câmbio, além do comportamento externo do dólar, está no radar a sinalização do BC sobre o plano de rolagens de swaps em junho. Cabe lembrar que, em maio, o BC rolou apenas 52% dos vencimentos de junho, reforçando a expectativa de atuações menos incisivas neste momento. Já a curva de juros estará sujeita à ata do Copom e outros indicadores importantes da semana, como a PNAD contínua (terça), produção industrial (quarta), Anfavea (quinta) e IPCA (sexta). Os DIs partiram para uma firme trajetória de baixa, diante da percepção cada vez pior para a atividade econômica e de sinais menos pressionados da inflação. Novas quedas irão sugerir a arriscada aposta em um cenário agressivo – e pouco provável – de redução dos juros nos próximos meses. Desta forma, a tendência é de alguma acomodação da curva no curto prazo.


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